Ser


Hoje, desenhando contornos, esquadrinhando cômodos, pincelando rodapés e delineando tetos ocorreu-me algo sobre tentarmos fazer o mesmo com a vida. Pretensão imensa em nossa ínfima pequenez, não nos cabe. Apesar de muito tentar definir os limites, os contornos, as fronteiras de nossa vida, é ela que se faz, e nos envolve dando em seu próprio compasso o tempo de tudo.

O ritmo não vem de nossa ansiedade, vem do lado de lá, de onde não vemos, mas sabemos, cremos. Mesmo? Se crêssemos mesmo ansiedade não haveria, saberíamos esperar cumprindo as etapas que nos são propostas, aprendendo os ensinamentos que nos são enviados. Daríamos mais conta de nós mesmos, desprendendo a atenção de tudo o que nos envolve e todo instante. Como se pudéssemos controlar tudo o que muda o tempo todo. Não é esse nosso papel, não é esta nossa cena, não participamos deste ato, não somos capazes de escrever esta peça.

Ansiedade, controle, futuro. Estes três substantivo se mesclam em nossas vidas. O querer, o desejo, a cobiça, a ambição, a pretensão, o aspirar a tudo o que podemos, especialmente, ter. Por que seria tão importante? O valor do ser não seria maior? Por que tantos se perdem nesse caminho? As atitudes deveriam ser inclinadas ao que somos, o ter viria muito em conseqüência.

Sobrelavalorizando o ter nos remetemos ao erro de nos perder em quem somos, a que viemos, qual nosso caminho, com quem nos relacionamos. É como se pudéssemos apartar o que realmente somos de nós mesmos em prol de um valor falido. O valor do ter é falido.

Como a vida é feita de escolhas, opto pelo meu ser. Não que não queira ter, mas quando somos podemos tê-los, todos os desejos, aspirações, todas as vontades, pois assim não somos escravos do ter. Temos, entretanto e acima de tudo, e bem antes disso, somos.

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2 respostas a Ser

    • amorinis diz:

      Oi, Antônio!
      Fico feliz pela iniciativa do comentário que deixou, preciso disso.
      Espero que continue navegando por aqui, que tenha boas surpresas, que a leitura que venha a encontrar aqui te agrade.
      Abraço.

      Bruno Amorim

      Gostar

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