Entre o ir e o vir


Entre o ir e o vir o tempo se estreita, o espaço se alonga, contrariando a natureza etérea do eterno dom de viver. Idas longas, preguiçosas vindas, curvas acentuadas e serras sem fim. Dias viram noites, noites que num clarão viram dias, novo retorno. O tempo parece parar, nada é, nada está, lugar não há, espaço e tempo se debatem em guerra voraz.

Por telepatia há comunicação, em sonhos há presença, pela tecnologia a saudade é fragilmente aplacada. Mas nada, nada de nada acalma o coração. Noites viram dias com a artificial e branca luz dos recintos vários da casa. O tic tac pode ser ouvido madrugada a dentro sem cessar. Emendam-se dias, semanas, até novamente o ir. Ansiedade corrói a alma, a pressa não dá velocidade como se deseja, ao contrário, parece que tudo pára.

Novamente do sol à lua, na estrada curvas e mais curvas, subidas e descidas em sequência quase surreal. As formas se confundem no horizonte, entre montanhas, vales. Rios, pontes, matas, o cerrado, tudo passa emoldurado pela janela vedada. Lá fora, o frio que de dentro não se imagina. Paisagens correm pela janela, mas permanece a sensação de nunca chegar.

Um telefonema: − Amanhã estarei contigo. Combinado? Ouço, − Tá bom, papai! Aí adormeço, sonho, e n’outro dia, bem cedo, finalmente chego para ele.

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