Não Entendo


Não entendo essa ciranda que não anda, esse doce sem compota, essa chuva que não cai, esse teco sem peteleco.

Não entendo a voz que não chama, o grito que não se ouve, o trovão que não ecoa.

Não entendo o que o não entendo porque não entendo.

Não entendo não ver o evidente, não ler o que está à frente, não ser ao menos descente.

Não entendo ter o que não é, nem ser o que não tem. Não, não entendo.

Não entendo achar que querer é poder, que se merece o imensurável, que o que se tem não é viável.

Não entendo a afirmação da fé no mesmo cesto do desejo humano.

Não entendo a soberba vinda de uma casa taipa, do chão batido, das toras de madeira.

Não entendo a ambição que só gera débitos, nunca ganhos. Não entendo quem é gota se dizer oceano.

Não entendo muitas coisas ao que me parece.

Não entendo o desejo de nunca mudar, sendo que para isso basta o tempo passar. Menos ainda entendo crer que assim se vai crescer.

Não entendo a alienação, o negar do sentir, a opção de viver sem razão.

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3 respostas a Não Entendo

  1. Silvane Diogo diz:

    Não entendo de onde vem tanta inspiração……Palavras maravilhosas que conseguem nos deixar comovidos e apreciar a realidade…..”Não entendo a alienação, o negar do sentir, a opção de viver sem razão…”demais!!!!!

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  2. Décio Amorim diz:

    Sensacional. Texto digno de um engenheiro que, pelo jeito, sempre quis ser jornalista. Cara, veio da ALMA, é puro, belo e emocionante!!!!

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