Sentido Cessante


Sente esvair do peito o sentido daquele sentimento que fora tão profundo. Assim como se tornasse fluido e venosamente fosse lançado fora. Depois de esvaído fica o vazio, e depois de vazio, só se pode encher novamente. E agora é isso que chama o pensamento, como o que tudo isso será cheio, deverá ser com algo bom, algo do bem, que faça bem ao coração, que seja grande, brilhante e macio.

Mas tudo isso ainda está à vazante desse rio. Aquele fluido ainda está se esvaindo. É como viver a vertigem da falta de oxigênio, a lividez de não haver mais sangue nas veias, a sede da boca seca.

O coração sentimento se ressente do sentido cessante que dá sabor à vida. A seda suave que permite sentir o sopro daquele som eterno do amor rasgou-se.

Como a morte de um ente querido, nunca estamos preparados para isto, assim também nunca estamos preparados para o vazio do amor. E continua a esvair-se.

Em certo ponto os pensamentos se amansam, inexplicável como acontece. Na maré baixa as ondas cessam, nem mesmo se ouve o barulho das marolas na praia. Nem marolas há mais.

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