A Paz e o Coração


Após passada a tempestade, quando já é vinda a calmaria, ainda assim não pode ser afirmado que a água é limpa. Não há relação causa e efeito entre uma coisa e outra. Da mesma forma, após passada a crise de raiva, passada a onda de ira do coração, não se pode dizer que nele há paz. Somente não há mais ira ali, entretanto a paz é pura, e isso não se pode inferir.

Qualquer auto afirmação a esse respeito é frágil, não se sustenta. E o mais duro algoz que faz cair tal afirmação é o tempo. Ele cai sobre si próprio, cai sobre nossas faltas, nossas angústias, nossos medos, se acumula como um monte de areia dentro de uma clepsidra e mostra infalivelmente a real natureza do coração, pacífica ou não.

Não há paz onde não há ordem, não há ordem onde não há disciplina, não há disciplina onde não há obediência, não há obediência onde há egoísmo.

Só existe a paz onde existe o amor.

O coração amordaçado, a distância mantida, não traduzem em si presença de paz. Outrossim é a tentativa de se infringir sofrimento, uma tentativa de se castigar que fere a si próprio. Negar essa chaga em sua própria carne é como se iludir em um mundo fantástico. Negar a dor da ausência do amor seria como tentar dissimular sua própria existência.

Como referência maior do ser, não é o nosso coração que está dentro de nós. Nós somos o que está dentro de nosso coração, lá estamos, dentro. Lá estamos próximos do Criador, e Ele não coabita com o mal.

Vivemos, nem sempre somos presenteados com boas experiência, por vezes vivemos coisas difíceis e isso endurece, torna insensível o coração. Então levamos a consequência dessa experiência por através do tempo. E com essa dureza vem o medo de que aconteça o que já aconteceu, é um medo do passado que se disfarça em cuidado com o futuro. Na intenção de se proteger, nos negamos. Negamos um futuro bom, negamos um sentimento bom, nos enganamos, negamos a solidão. Em prol de nos proteger de algum mal que um dia vivemos, nos privamos da graça, do dom, das dádivas que a vida traz consigo. Assim morremos espiritualmente, num suicídio insano.

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Texto Livre com as etiquetas , , , , . ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s