Entre o Bem e o Mal


Quero começar dizendo que coisas ruins acontecem com pessoas boas. Que pessoas boas fazem coisas ruins. E que pessoas ruins dominam o estado da arte de fazer o mal.

Isto posto, o que você vê quando se olha no espelho? Consegue olhar-se a si próprio no fundo dos olhos e perceber o que realmente é? Ou vive com uma imagem construída, forjada de si próprio para apresentar ao mundo a impressão que deseja? E diga-se, seja ela qual for. O que deseja que o mundo pense você corresponde realmente ao que verdadeiramente, lá no fundo do seu mais oculto íntimo, é? Conheço profundamente pessoas que tem uma imagem de si próprias muito diferente do que realmente são. E acreditam nisso como verdade absoluta. É real pessoas não terem automconhecimento, e real  pessoas que não olham para si próprias, é real pessoas olharem-se nos olhos e não perceberem o que está logo abaixo daquele casco. Dói, e todos temem a dor, Crescer dói, diz o ditado popular.

Imagine-se chegando à casa de um grande amigo, mas que nunca tivera a oportunidade de estar lá, especialmente para a ocasião de um almoço em família. Um dos sete irmãos de seu amigo não pôde ir, mas você não sabe disso. Consegue perceber que falta alguém? Ou só se tornará evidente para você quando vir que sobrou um prato à mesa depois de terem todos ocupado seus respectivos lugares à mesa? Há sempre gestos, olhares, feições, movimentos que denotam tal ausência de alguém querido, um sentimento no ar.

Quando se olha no espelho, está onde realmente está? Está realmente com quem julga estar? Ou também é como um prato vazio à mesa posto.

Indo ainda além. Festa de Natal, família reunida e novamente você é o convidado da festa. Agora não conhece bem nenhuma daquelas pessoas. Um colega de trabalho descobrira que você passaria aquela noite sozinho, pois está trabalhando temporariamente em outra cidade, e o convidou para a noite de Natal por ter se solidarizado contigo. Desta vez não há prato algum sobrando à mesa, mas há sim uma ausência, um familiar que ao pó retornara. Consegue perceber, antes ou sem que alguém lhe conte? Percebe no ar o sentimento daquelas pessoas, daquela família? Caso sim, em que dimensão? Caso não, por que? Se é tão difícil olhar para fora, quão difícil seria, quão difícil é olhar para dentro de si?

Há uma particularidade em minha vida, a mesma coisa aconteceu em momentos diferentes, com pessoas diferentes, mas o mal gerado foi basicamente o mesmo. Mas o que quero dizer é que a diferença fundamental foi o coração das pessoas que me causaram aqueles males. Na primeira ocasião o mal foi feito por uma pessoa boa. Essa pessoa se apresentou, se retratou e se redimiu. As consequências do ato permanecem, mas se eu não estivesse tratando desse tema como agora, jamais me lembraria dessa pessoa pelo que fez. Já na outra e segunda ocasião, a pessoa em questão era eminentemente má. Sabia o que fazia e o efeito que teria. Julgara aquilo como certo e arrependimento não passa por seu coração, desconhece. Sempre me lembro da imagem que esta última pessoa faz de si mesma, da imagem que projeta para o mundo e o que realmente é.

O que há, o que guarda, o que leva em seu coração?

Há os que defendem o ato de algum mal dizendo que as pessoas só buscam ser felizes. É uma das afirmações mais egoístas que já ouvi.

Das duas pessoas que há pouco falava trago a lembrança de algumas características em comum: o orgulho, a vaidade, a auto-suficiência e o egoísmo.

Trazer à consciência, revelar à realidade o que realmente somos exige de nós uma viagem muito profunda, e na maioria das vezes, dolorosa. Desvendar nossos olhos ao que somos, enfrentar medos, traumas, crenças muito arraigadas que dizem respeito a outro momento de vida que ficou no passado, velhos e inúteis paradigmas, fronteiras e muros que não existem mais, seguranças que já se foram, afirmativas que não são mais verdadeiras, encarar tudo isso é sim muito doloroso. Crescer dói.

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