Âmago


A tez, o cheiro, o gosto, o toque na pele. Não sei explicar a necessidade de escrever o que só se pode sentir, experimentar, viver. É uma ânsia, uma gana, um vil querer! Parece que se não flui, explode, que se não cria asas, cai, desaba no abismo do lugar comum. É um nó na garganta, um aperto no peito que só passa quando respira. E quem respira vive e quem vive sente, não sente?

E não basta pôr no papel a cor, o aroma, o sabor, o tato… é imperativo que os sinta quem se propõe à experiência de ler. Preciso que sintam, compreendam, se emocionem. Se não, do que adianta? É como chupar manga e não se lambuzar, ver um cãozinho e não brincar, ter uma criança e não chorar.

Quero a mente aberta, o coração explodindo, a alma em frangalhos, os olhos a brilhar, o arrepio do dorso, frio nas mãos e um mundo paralelo onde cada palavra seja lúdica, espontânea, versátil e coberta, completamente envolvida, por uma massa fluida de sentidos e sentimentos.

E só quem lê pode fincar essa bandeira da conquista desse novo território para quem escreveu. É uma realização alheia, anônima, sorrateira que se denuncia num sorriso, num olhar. Ah se eu pudesse, entregaria a cada leitor um texto de cada vez em folha de papel escrito à mão. E assim contaria minhas histórias. E ficaria por ali, por perto, oculto para perceber, “in natura”, a reação de quem leu.

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